PENSAMENTOS DE LOUIS CATTIAUX

 

Seleção[1]

Tradução do espanhol: Regina de Carvalho

 

 

O hermetismo é mesmo o núcleo da tradição e por isto pode incorporar-se a todas as facetas da tradição, representada pelas diversas religiões.

 

 

Não se deve confundir alquimia com crisopéia (fabricação do ouro), uma vez que a alquimia ao ser a prática do hermetismo, é a ciência total do ser, enquanto que a crisopéia somente é a parte que concerne aos metais, como a argiropéia (fabricação da prata).

 

A palingenesia (o novo nascimento) é o termo mais elevado da alquimia e a crisopéia é seu termo mais baixo. Uma corresponde à ciência sacerdotal e a outra à ciência real, ou Arte real.

 

A alquimia é a realização da Arte sacerdotal e da Arte real. É a chave de ouro que abre o segredo tradicional, que é a realização da criatura caída. A alquimia não é de natureza puramente interior, tal é o erro grosseiro de todos os intelectuais e demais filósofos, dos místicos, espíritas e espiritualistas.

 

Certamente, trata-se de uma operação material unida a uma operação espiritual, mas oculta sob os termos da química vulgar, o que tem enganado aos profanos. Uma não exclui a outra, pelo contrário, já que se completam necessariamente.

 

É o SOLVE das tradições orientais e o COAGULA das tradições ocidentais.
[cf. A Mensagem Reencontrada XXXII, 43-44’]

 

 

Pernety sublinha  a diferença entre a filosofia hermética e a química vulgar, o que é verdade, mas isso não quer dizer que a alquimia seja desencarnada e unicamente espiritual. É a ciência das ciências e é efetiva.

 

A ciência alquímica é verdadeira e palpável.

 

O que é possível, de modo místico e espiritual, é ainda mais de modo alquímico e formalmente falando.

A alquimia une o espírito, a alma e o corpo realmente e de uma maneira palpável, o qual ignoram os metafísicos.

 

 

Quem se conhece, conhece a seu “Senhor”, isto é certo, mas pode-se entender de várias maneiras, uma delas permanece sempre desconhecida para os metafísicos desencarnados mas não reencarnados.

 

 

O texto grego diz o mesmo “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás a união e os deuses”.

Mas os que abstraem, desencarnam este ensinamento, enquanto que os adeptos o encarnam, o que é completamente diferente como ensinamento e como resultado.

 

Há duas ordens do segredo iniciático, em primeiro lugar o conhecimento e a realização espiritual, que é propriamente a iluminação, e em segundo lugar o conhecimento e a realização formal e palpável, que é propriamente o adeptado. Esta última realização é tão rara que se te torna inacreditável, inclusive para os iniciados, e ninguém se atreve a nomeá-la ou levá-la em conta, seja entre as ordens inciáticas, ou entre as ordens religiosas, que transmitem seus símbolos sem conhecer sua realidade última.

 

 

O processo iniciático é o símbolo da realização da Grande Obra e não o contrário.


[1] http://www.arcangelrafael.com.ar/hermetismoyalquimia.html - Material reproduzido graças a permanente colaboração  de Raimon Arola e sua revista La Puerta.