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POEMES / POEMAS

LOUIS CATTIAUX

 
Tradução de Fabio Malavoglia
Revisão e sugestões de tradução de Joel Lamac Longo

 

*

L’OUBLI DE SOI

Quand il eut terminé le portrait de l’ami,
le peintre se leva et contempla longtemps
le mystère vivant de sa propre magie,
qu’animaient le nombre, l’espace et le temps.

Mais devant les couleurs où palpitait la vie,

l’artiste fasciné par les yeux miroitants,
recula jusqu’au mur où s’estompait la nuit,
et traversa la pierre, sans savoir comment.

 

O ESQUECIMENTO DE SI

Quando deu por terminado o retrato do amigo
o pintor levantou-se e contemplou longamente
o mistério vivente de sua própria magia
que animava o número, o espaço e o tempo.

Mas diante das cores onde palpitava a vida
o artista fascinado pelos olhos rutilantes
recuou até o muro onde se enevoava a noite
e atravessou a pedra, sem saber como.

 

*

A LA NAISSANCE

Un matin je m’éveillai vieux, pauvre et solitaire,
quand l’idée me venant que Dieu seul
souffrait en moi tout cela, je bondis
comme un puissant seigneur tout ruisselant d’or frais.

 

AO NASCIMENTO

Uma manhã acordei velho, pobre e solitário,
mas quando me veio a ideia de que só Deus
sofria em mim tudo aquilo, eu saltitei
como um potente senhor todo fluente de ouro fresco.

 

*

AUX HOMMES

Comme je les contemplais
à travers ma joie nouvelle,
ils me parurent si passionnants et si beaux,
que je courus les embrasser sans retard;
et les injures et les coups reçus en échange
ne pouvaient entamer ma certitude immense.

 

AOS HOMENS

Como eu os contemplava
através de minha alegria nova,
eles me pareceram tão apaixonantes e tão belos,
que corri a abraçá-los sem demora;
e as injúrias e os golpes recebidos em troca
não puderam abalar minha certeza imensa.

 

 

Nota da tradução: na edição dos poemas de Cattiaux da Arola Editors (in “Física y Metafíca de La Pintura”, Tarragona, 1998) estes versos levam por nome, em castelhano, “A la gente qualquiera” que poderia ser traduzido por “Às pessoas quaisquer” ou “Às pessoas comuns”.