Em 1992, Emmanuel d’Hooghvorst escrevia uma introdução para uma nova edição das obras de Nicolas Valois. Reproduzimos o texto completo na sequência.

 

A PROPÓSITO DOS CINCO LIVROS

DE NICOLAS VALOIS

Efetivamente, não é um saber que, a exemplo dos demais, possa de algum modo ser formulado em proposições; senão que é resultado do estabelecimento de um comércio repetido com aquilo que é a própria matéria deste saber, resultado de una existência que compartilhamos com ela…
Platão[1]

 

Tradução do Espanhol: Fábio Malavoglia

Nicolas Valois escreveu estes Cinco Livros para seu filho. É um mestre único pela simplicidade e a precisão de seu ensinamento. Porém o livro se fecha se é lido na escola dos avarentos deste mundo. Na das musas, este livro não será saboreado sem paciência, já que o ouro de Hermes é o desafio de um Saturno filosófico.

Que este Saturno te ligue ao vaso se colhestes este mercúrio que não se lê sem cozê-lo. Este texto tem duas caras: de fato, uma delas é bendita; a outra é só uma máscara onde se lê um ídolo. Se unes o estudo à tua cabeça, teu ouro se dissipará sem proveito: é ao labor que tens que unir tua leitura e, como diz o autor:

“Labor ser-te-á ensinamento sempre e quando fores pela senda reta, considerando em primeiro lugar qual coisa buscas, para que fim e por que meio”.

É de ti mesmo, leitor, de onde virá a compreensão deste texto. Não esperes recebê-la de ninguém, exceto de tua própria experiência sempre e quando, acrescenta o autor, estejas em graça.

Se o desafio desta química tentou o avarento Dite, seu pensamento, não obstante, não tem a medida do sentido que convém a esta obra: lerá o que escreve este Filósofo sem ter sua pena. Os adeptos desta Arte ajustaram sua química ao sonho dos avarentos de nossa era; por isso sua química tem dois sentidos. Em alquimia achamos cem termos distintos para dizer um só PAN, porém somente se pode lê-lo capturado. Mal pensar fará, portanto, usar ardis, errar, se perder.

Que mais dizer acerca destes cinco pequenos tratados? Ninguém pode excluir-se deles, já que seria excluir-se da graça divina. Este livro, de fato, não diz outra coisa que a obra de Deus:

E na obra de Deus”, diz o autor, “e nesta luz tão encoberta pelos Antigos, está o selo dos selos que abre e fecha o livro de vida no qual estão escritos os nomes dos Eleitos e daqueles que amam a Deus e a seu próximo”.

Emmanuel d’Hooghvorst



[1] Cartas VII, 341c