A HUMILDADE

 

           

                                                                                      Louis Cattiaux 

Tradução do espanhol de Lluïsa Playà: Fabio Malavoglia

 

Aquele homem estranho era amigo de todos os monges, que o recebiam por turnos durante suas peregrinações secretas.

Um dia, sendo ele hóspede de uma grande comunidade, observou entre os monges um abade condecorado com a legião de honra[1]. Avançando rapidamente na direção dele, ajoelhou-se e rogou aos irmãos que fizessem o mesmo.

Em seguida, depois de ter adorado por três vezes, falou assim:

«Oh! Poderoso Senhor, oh! Generoso, oh! Valente,
oh! Santo, reconhecemos, graças a teu sinal,
tua força, teu amor, tua valentia, tua fé. Deus seja
louvado por haver-nos dado um mestre como tu.
Reconhecemo-nos de bom grado covardes e
idiotas, nós que não portamos a
legião de honra e nos humilhamos ante ti,
oh! Valente entre os valentes! Somente perdoa ao
nosso nada, oh! Herói, e aceita nossa humilde homenagem.»

Depois de dizer isto, voltou-se para os monges estupefatos e continuou:

«Irmãos, proponho que cada um faça e ofereça uma
medalha ao grande mestre virtuoso que consente
habitar entre nós. Assim, aumentaremos certamente
seu valor e sua glória. Pelo que me concerne, lhe T
oferecerei uma cruz negra com uma fita negra...
uma cruz negra com um homem cravado...
um homem branco por fora e vermelho por dentro...
um homem vermelho com uma coroa de espinhos.»

Quando se voltou só viu um montinho de pó imóvel, que cuidadosamente recolheu e que levou à sua cela sem dizer palavra.

Chorou sobre as cinzas e começou a moldar em forma de homem o limo assim obtido. Depois, soprando em cima, disse simplesmente ve e o abade despido saiu espantado do aposento do homem estranho cujo verdadeiro nome ninguém jamais conheceu.



[1] A “legião de honra” é a mais conhecida condecoração do governo francês.