O DESAPEGO[1]

 

Maestro Eckhartc

Tradução do espanhol: Jaime Prades

 

Eu louvo mais o desprendimento do que o amor, e é por esta razão: o que o amor tem de melhor, é que me obriga a amar a Deus, entretanto o desapego obriga a Deus a querer-me. É muito mais nobre obrigar a Deus a vir a mim, do que obrigar-me a ir até Deus, porque Deus pode mais intimamente penetrar e unir-se a mim do que eu poderia unir-me a Deus.

Eu louvo o desapego mais que a humildade e aqui está o porquê: a humildade pode existir sem o desprendimento enquanto o perfeito desprendimento não pode existir sem a perfeita humildade, porque a perfeita humildade tende a uma anulação de nós mesmos.

Louvo o desapego mais que toda a misericórdia, porque a misericórdia consiste em que o homem saia de si mesmo para ir até as misérias do seu próximo e o seu coração turba-se. O desapego está isento, permanece em si mesmo e não se deixa turbar por nada. Porque sempre que algo pode turbar o homem, não é como deve ser.

 



[1]Tradição Cristã, La Puerta on-line: http://www.lapuertaonline.es/ar223.html

 

 

 

 

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